Abril 2025
Imagine a vida como um grande teatro, no qual cada pessoa recebe um papel único para atuar. No entanto, esse papel não é revelado claramente. Ele precisa ser descoberto, decifrado como um enigma. O autor deixa pistas aos atores nas suas inclinações naturais, nos talentos inatos, nas preferências, interesses e nas paixões que surgem sem razão aparente. O autor não entrega um roteiro pronto, mas distribui indicações sutis que exigem sensibilidade e atenção para serem percebidas. Cabe ao ator utilizar seus sentimentos, sua intuição, seu pensamento e suas sensações para decodificá-las e integrar seu personagem a si.
O autor não é um tirano que dita ordens, mas uma inteligência criativa que mostra uma direção. Descobrir a intenção do autor é o caminho para que o ator encontre sentido e coerência na sua atuação.
Nesse palco convivem milhares de atores em condições semelhantes. Alguns entram em cena antes e, com base na sua experiência, procuram ensinar aos mais novos os códigos para desvendar seus próprios papéis. Porém, o autor frequentemente apresenta desafios. Nem sempre o ator inicia sua jornada num ambiente favorável à descoberta e ao desenvolvimento de seus talentos e personagem. Muitas vezes, o ator se depara com diretores críticos e autoritários, que exigem interpretações, papéis e desempenhos contraditórios à sua natureza.