Manual de sobrevivência nas reuniões familiares 
Gabriel Garcia Oro
El Pais
Nov 2017




Em 24 de dezembro de 1914, perto da cidade belga de Ypres, aconteceu a quase milagrosa Trégua de Natal entre alemães e britânicos. Os dois lados foram invadidos por um espírito natalino e decidiram distribuir presentes, canções e uns momentos de paz e reflexão em meio à loucura devastadora da Primeira Guerra Mundial. Certamente que custou a todos eles uma boa dose de empatia, compreensão, generosidade, comunicação não violenta, pensamento positivo, mindfulness e todos esses conceitos que estão na moda hoje em dia, mas que em 1914 fluíam da intuição e da vontade férrea de que tudo terminasse bem. E terminou.


Quatro habitos diários de pessoas fora da curva

por Steve Magness
Outside
Junho 2017
Tradução Dado Salem



Michael Joyner, médico e pesquisador da prestigiada Clínica Mayo em Rochester, Minneapolis, é um dos seres humanos mais produtivos vivos. Joyner, especialista em fisiologia e desempenho humano, publicou mais de 350 artigos científicos, foi recentemente nomeado ilustre investigador na Mayo Clinic e recebeu uma bolsa no Fulbright Scholar Program. Além de sua pesquisa, Joyner, é anestesista, vê pacientes regularmente e é um mentor para inúmeros líderes, informalmente executando o que ele chama de "minha própria versão de uma escola Montessori". Ele escreve para a Sports Illustrated e é freqüentemente citado como especialista em outras grandes revistas. Joyner, que tem 58 anos é casado, tem filhos pequenos, e ainda é atleta, se exercitando diariamente de 60 a 75 minutos.

Joyner não tem uma mutação genética especial que lhe dê energia sem fim, nem trabalha 12 horas por dia. Em vez disso, ele deliberadamente projetou não apenas seus dias, mas, na verdade, sua vida inteira, em torno de eliminar distrações e decisões não importantes. Por exemplo, ele protege seu tempo dedicado para o trabalho para ter foco profundo (no início da manhã, antes de sua família acordar), embala sua mala de ginástica e almoço com os mesmos itens todos os dias, e deliberadamente se mudou para estar 15 minutos de bicicleta de seu escritório. Ao fazê-lo, ele reserva energia e força de vontade para as atividades que são criticamente importantes para ele.

Nobel de Economia vai para um psicólogo, pela 3a vez

Nobel in Economics Is Awarded to Richard Thaler
Por Binyamin Appelbaum
NYTimes
Out 2017
Tradução Dado Salem

Richard Thaler é o terceiro psicologo a ganhar o prêmio Nobel de Economia e prevê que a cadeira de Psicologia Econômica deverá desaparecer, pois as Ciências Econômicas como um todo devem considerar a psicologia




Richard H. Thaler, cujo trabalho convenceu muitos economistas a prestarem mais atenção ao comportamento humano, e muitos governos para prestarem mais atenção à economia, recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas nesta segunda-feira.

O professor Thaler é um raro economista a ganhar certa fama antes de ganhar o prêmio. Ele é autor do bestseller, "Nudge", sobre como ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões. Ele também apareceu no filme "The Big Short" de 2015, apresentando o que certamente é um dos tutoriais mais vistos na história da economia, sobre as causas da crise financeira de 2008.

Como as multinacionais do "Junk Food" estão fisgando os brasileiros

Milhares de vendedoras de porta em porta distribuem produtos ultra processados empobrecendo a dieta dos brasileiros. Esse é o vetor da obesidade que se observa no país.




O melhor candidato talvez não tenha um currículo perfeito

Why the best hire might not have the perfect resume
Regina Hartley
TED Talks

Uma empresa abre um processo seletivo. Depois de fazer a triagem chega a 2 candidatos finalistas, um com currículo perfeito, que cursou uma excelente universidade e teve experiência profissional consistente. O outro não terminou a faculdade (ou estudou numa de 2a linha) e nunca se manteve por muito tempo num emprego. Quem a empresa deveria escolher?
(palestra em ingles)

Deus seja louvado

Nove entre dez brasileiros atribuem a Deus sucesso financeiro
por Ana Estela de Sousa Pinto
Folha de SP


Nove entre dez brasileiros dizem que seu sucesso financeiro se deve a Deus. A Igreja Universal do Reino de Deus defende o sucesso material nesta vida como bênção divina. Conectada com a experiência cotidiana, a Igreja organiza cursos de empreendedorismo e programas de geração de renda, atividades bastante adequadas a momentos de crise.





Nove entre dez brasileiros dizem que seu sucesso financeiro se deve a Deus, mostra pesquisa Datafolha.

A porcentagem supera 90% entre os religiosos, é de 70% entre os sem religião e aparece até mesmo entre os que se declaram ateus: 23% concordam com a declaração.

Vale do Silicio: LSD no café da manhã

Turn on, tune in, drop by the office
por Emma Hogan
The Economist 1843
Agosto 2017

A que ponto chegamos: executivos de importantes empresas do Vale do Silicio tomam microdoses de LSD para melhorar o desempenho no trabalho e ter sucesso nos negócios.



The Silicon Valley avant-garde have turned to LSD in a bid to increase their productivity. Emma Hogan meets the people breakfasting on acid.


Every three days Nathan (not his real name), a 27-year-old venture capitalist in San Francisco, ingests 15 micrograms of lysergic acid diethylamide (commonly known as LSD or acid). The microdose of the psychedelic drug – which generally requires at least 100 micrograms to cause a high – gives him the gentlest of buzzes. It makes him feel far more productive, he says, but nobody else in the office knows that he is doing it. “I view it as my little treat. My secret vitamin,” he says. “It’s like taking spinach and you’re Popeye.”


Pobre mas feliz? Aristóteles, os estóicos e os bens externos

Pobre mas feliz? Aristóteles, os estóicos e os bens externos
Por Gabriele Galluzzo
modernstoicism.com (Gregory Sadler)
tradução Dado Salem
Junho 2017



Podemos ser felizes sem dinheiro, poder político, boa aparência, etc.? Podemos, em outras palavras, ser felizes sem bens externos, isto é, as coisas externas que podemos adquirir e que parecem contribuir para a nossa prosperidade? Ninguém negará que estas são questões importantes, talvez vitais, para nós hoje, e para os tempos em que vivemos. Mas a questão do papel desempenhado pelos bens externos na felicidade humana também foi muito debatida na filosofia antiga. As respostas diversas oferecidas pelos filósofos antigos certamente podem contribuir para as discussões modernas, além de serem interessantes em si mesmas.

Hoje, eu gostaria de considerar duas respostas antigas ao problema dos bens externos, em Aristóteles e os estóicos. Em poucas palavras, Aristóteles acredita que não podemos ser felizes, sem pelo menos alguns bens externos, enquanto os estóicos insistem que podemos. Embora Aristóteles e os estóicos ofereçam respostas incompatíveis ao problema dos bens externos, seria enganoso ignorar seus pontos de partida e antecedentes comuns. Tanto Aristóteles como os estóicos são, em certa medida, herdeiros de uma tradição (socrática) que identifica a posse e o exercício das virtudes (coragem, autodomínio, justiça, bom senso, etc.) com a plena expressão de nossa natureza como seres humanos, Isto é, com a plena expressão de nossa racionalidade.

Lojas nos EUA temem virar peça de museu concorrendo com a internet

NY Times
Publicado na Folha de SP
Abril 2017

A transformação vem esvaziando os shopping centers, levando marcas tradicionais do varejo à falência e causando perdas de emprego em volume espantoso.



Nas ruas do SoHo, em Nova York, bolsas Chanel e casacos Arc'teryx são exibidos pelas lojas como peças de museu, remetendo à época em que o bairro era o auge da moda. Mas os aluguéis da área estão em queda, e o número de lojas vagas, subindo.

Hoje, em lugar do SoHo, alguns dos imóveis mais procurados pelo varejo ficama oito quilômetros de distância, em Red Hook, região de raízes operárias noBrooklyn.

Empresas de comércio eletrônico brigam por alugar partes de um velho armazém, com 4,4 hectares, porque isso permitiria que entregassem no mesmo dia os produtos pedidos on-line por compradores da cidade.

Decifrando a personalidade enigmática de Melania Trump

As mensagens ocultas das fotos que Melania Trump postou no Twitter
El Pais
Abril/2017

Uma cineasta analisou 400 fotos tiradas por Melania para tentar decifrar sua personalidade enigmática.



Por que uma primeira-dama não aceitaria seu trabalho? Essa foi a dúvida que Kate Imbach teve em novembro passado, quando soube que Melania Trump não se mudaria para a Casa Branca (uma porta-voz da primeira-dama confirmou recentemente que Melania e seu filho Barron finalmente se mudariam para a Casa Branca em junho, depois que as aulas terminassem). "Fiquei impressionada com sua decisão inicial. Ser primeira-dama é um privilégio incrível e uma oportunidade de servir ao público. Como suas entrevistas não eram muito reveladoras — percebe-se que é monitorada e treinada para lidar com a mídia —, pensei que, para entendê-la melhor, poderia olhar atentamente suas fotos para tentar compreender como vê o mundo", afirma por e-mail a produtora de documentários. Imbach, na esteira de outros analistas de imagens como Errol Morris e Will Schultz com Diane Arbus, analisou as 470 fotos que Melania Trump compartilhou em suas redes, aparentemente tiradas por ela, ao longo de três anos, entre 3 junho de 2012 e 11 de junho de 2015, pouco antes de seu marido Donald Trump anunciar sua candidatura à presidência dos Estados Unidos.

Sozinhos, mas não solitários

Por Maurício Oliveira
Valor
Março 2017



Se há uma estatística comprovando que estamos cada vez mais individualistas, é esta: o número de pessoas morando sozinhas no Brasil quase dobrou nos últimos dez anos, saltando de 5,5 milhões para 9,9 milhões. São mais jovens saindo da casa dos pais em busca de autonomia, mais pessoas que se separaram, mais senhoras e senhores que enviuvaram, mais gente que estuda ou trabalha longe da cidade de origem e até mesmo mais casais que mantêm uma relação estável e optaram por viver cada um no seu canto.

Na última década, em que a quantidade total de domicílios contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou de 53,3 milhões para 68,1 milhões, a participação dos chamados "arranjos unipessoais" - aqueles ocupados por apenas um morador - evoluiu de 10,4% para 14,6% dos domicílios. Trata-se de um fenômeno estreitamente vinculado a outro, mais amplo: o encolhimento das famílias. Nesse mesmo período, a taxa de fecundidade caiu quase 20%, de 2,09 para 1,72 filhos por mulher, e a proporção de casais com filhos, morando todos sob o mesmo teto, recuou de 50,1% para 42,3% dos lares brasileiros.

A revolução da Inteligência Artificial chegou, e agora?

Sergey Brin, fundador do Google, relata no World Economic Forum 2017 que não notou a revolução da Inteligência Artificial chegando, apesar dela estar sendo desenvolvida dentro de sua própria empresa. Onde isto nos levará?


Os chimpanzés que mataram o seu chefe tirano

Por Javier Salas
El País
Fevereiro 2017



Alguns estudos recentes publicados por primatólogos parecem obra de Shakespeare. Aprendemos como a execução cruel de um chimpanzé desatou a guerra entre dois clãs. Ou como duas fêmeas de orangotango levaram sua rivalidade até as últimas consequências. Um novo trabalho conta outra história de poder, violência e amizade cujos protagonistas são grandes símios, não seres humanos. Os chimpanzés da quente savana de Fongoli, no Senegal, mataram seu líder de anos anteriores quando este tentava retornar ao grupo após um exílio que havia durado quase cinco anos.

Geração dos hippies urbanos

Por Ruth Manus





"O cenário é mais ou menos esse: amigo formado em comércio exterior que resolveu largar tudo para trabalhar num hostel em Morro de São Paulo, amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hamburger, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo “finalmente vou aprender a surfar”.

Você pode me dizer “ah, mas quero ver quanto tempo eles vão aguentar sem ganhar bem, sem pedir dinheiro para os pais.”. Nada disso. A onda é outra. Venderam o carro, dividem apartamento com mais 3 amigos, abriram mão dos luxos, não ligam de viver com dinheiro contadinho. O que eles não podiam mais aguentar era a infelicidade.